Aprovação do Estatuto do Nascituro e porque isso me afeta (sim!) como deficiente físico.

Hoje, dia 5 de junho de 2013, quinta feira de sol, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados o projeto de lei do Estatuto do Nascituro. O texto de lei define que deverão ser garantidos, desde o momento da concepção, todos os direitos do nascituro, como o direito à vida, saúde e todos os demais direitos de personalidade.

Tá, legal. E o que muda pra você, querido deficiente do Brasil?

Se formos seguir a onda de raciocínio, os estudos sobre células troncos retiradas de embriões terão problemas para acontecer (e futuramente, quem garante que não será proibido?), pois fere o novo Estatuto do Nascituro, que protege os embriões congelados. Certo? E se a mulher estuprada ou que descobre que seu bebê é anencéfalo não poderá abortar porque fere o direito à vida do bebê, mesmo ele tendo no máximo de dois a cinco anos de vida, os estudos para futuramente possibilitar não só a cura de paralisias consequentes de lesões medulares ou doenças, mas tantos outros benefícios, como quem sabe, futuramente gerar órgãos novos e acabar com as filas de transplantes… Nada disso poderá acontecer.

Conseguem medir o tamanho do retrocesso? No dia 29 de maio de 2008 o Supremo Tribunal Federal já decidiu que não, as pesquisas com células embrionárias não ferem o direito à vida, muito menos o da dignidade humana. O que vale mais pra você? O pretendido direito de um embrião congelado, um amontoado de células que poderá salvar vidas que só tem a pretensão de ter a mínima condição digna, alem de dispor de seu próprio corpo, possibilitando cura para doenças e lesões, ou não, estou tão errada e o picolé-de-gametas-masculinos-e-femininos ganha?

 Porque eu, deficiente há quase oito anos, deveria me curvar sobre essa decisão que me atinge diretamente, sendo que ela é fundamentada principalmente na opinião da bancada evangélica, sendo que sem brincadeiras agora, ela não me representa? Quer dizer que agora, o meu direito à ter esperança de a) voltar a andar; b) voltar a sentir as partes do meu corpo que perdi a sensibilidade da lesão; c) não precisar entrar, futuramente, na lista de transplante caso precise de um rim por causa das inúmeras infecções urinárias que tenho por causa da minha lesão; d) poder abortar uma gestão, que já será de risco naturalmente por causa da lesão medular, caso eu seja estuprada (porque toda desgraça pra aleijado é pouco, alem de ficar preocupada a gestação inteira com a saúde do bebê, eu deveria aguentar o trauma de estar gerando o filho do homem que me estuprou, certo?), todas essas alternativas, eu deveria dizer ok?

Não, não mesmo. Não como mulher, não como deficiente, não como futura mãe e não, principalmente por alguém que tem o mínimo entendimento sobre essas coisas do mundo.

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25 opiniões sobre “Aprovação do Estatuto do Nascituro e porque isso me afeta (sim!) como deficiente físico.”

  1. prezada, se você sofreu alguma violência precisa denunciar..Infelizmente os covardes e bandidos fazem isso só não da pra deixar impune. Todo o seu texto, que vi misturam vários anseios e assuntos traduziram uma so coisa……você foi agredida…não deixe passar em branco

    1. não, a minha irmã não foi agredida, não foi violentada. A unica agressão que ela pode ter sofrido, conhecendo a visão e a opinião dela, é justamente a elaboração do estatuto, então esta já é de certa forma, a denuncia dela.

    2. Você tá de brincadeira ou só é burro?
      Teu comentário não faz sentido quando contextualizado ao que está no texto.
      Tem que aprender a ler antes de escrever.

  2. Gostei do teu texto. Fico triste em saber as condições que levaram ao teu acidente. Sou incapaz de entender realmente o teu dia-a-dia e espero que você continue tendo chance de sonhar com uma cura.

    1. SEI COMO A MULHER SE SENTE MAIS NINGUÉM TEM O DIREITO DE TIRAR A VIDA A MENOS QUE O FILHO QUE ELA ESPERA PODE NASCER SEM UM ÓRGÃO COMO O CÉREBRO COMO PODERIA DEIXAR ? OU A MULHER CORRER O RISCO DE VIDA AI SIM EU CONCORDO COM UM ABORTO

      1. Mas você não tem que concordar com nada. Até porque o filho não nasceu,porque não é seu,e a vida é dela. Cada um tem direito de exercer oque quiser sobre oque está em posse de seu corpo. Isso cabe a decisão do casal ou da mulher estuprada,não a evangelicos e pessoas alheias.

      2. Desculpe mas um HOMEM não pode ter a pretensão de querer mandar no corpo de uma mUlher. A decisão do aborto é única e exclusivamente nossa por vários motivos: não é o homem que corre risco de morrer, não é o homem que tem a vida td fodida tendo que abrir mão de vários sonhos qdo nasce uma criança indesejada. Então menos cara, bem menos. que vocês não apitam nada na nossa decisão.

  3. O Estatuto do nascituro apenas defende as crianças. Nao obriga as mulheres a terem os filhos de um agressor, apenas protege e ajuda aquelas q optarem por terem as crianças apesar da violencia q sofreram. No seu caso especifico, esta comprovado que as pesquisas com celular tronco maduras estao mto mais avançadas e tem mto mais resultado do que as q utilizam celulas embrionarias. Assim a ciencia esta mais avançando para conseguir ajudar os deficientes sem sacrificar uma outra vida humana, a vida começa na concepçao, um zigoto nao é um amontoado de celulas! É um ovo de gente.

    1. “Um zigoto não é um amontoado de células! É um ovo de gente” Jura?! Leia o estatuto, ele obriga sim mulheres a terem os filhos de seus agressores, ele estabelece, inclusive, um cenário horrendo onde meninas de 9, 10, 11 anos, abusadas sejam obrigadas sim a levar uma gestação adiante. Que vida você está defendendo, de quem? Esse “ovo de gente” merece mais proteção do que uma criança agredida? Merece mais respeito que uma mulher estuprada? Vai sofrer, sangrar e enlouquecer pelo trauma?

    2. Querida Taiana, mentiram pra você. O estatuto do nascituro obriga todas as mulheres a suportarem qualquer gestação que lhes acontecer, não importa quão perigosa for. É isso que o projeto de lei obriga, lê ele de novo. O estatuto arrisca a saúde e a vida de gravidas. E é por isso que ele não protege feto nem criança nenhuma! Porque não há como fazer bem pro feto se faz mal pra mãe. A mãe vai adoecer, em muitos casos vai morrer. E sabe o que acontece com o “ovo”? Pois é… Aprende uma coisa: se vc quiser fazer algo por uma criança, RESPEITE SUA MÃE!

      1. Eu queria saber em qual parte do texto esta escrito isso. Ja qu3 vc afirma categoricamente que meniram pra ela e que obriga as kulheres a ter o filho, eu queria saber em qual parte do texto isso fica explicito

  4. Primeira pessoa que postou, não, a minha irmã não foi agredida, não foi violentada. A unica agressão que ela pode ter sofrido, conhecendo a visão e a opinião dela, é justamente a elaboração do estatuto, então esta já é de certa forma, a denuncia dela.

  5. Querida, acho que está coberta de razão. Pois o futuro desenvolvimento do estudo com as células tronco poderiam ajudar a um deficiente físico, como qualquer outra pessoa. Obviamente não temos um país adaptado para todos os tipos de pessoas. Obviamente a nossa constituição é um conto de fadas, e por que não dizer uma piada não é mesmo? Respeito e apoio o seu pensamento, não se pode colocar o direito ao nascituro à frente dos direitos de quem já está vivo, gerado, e com problemas que precisam ser sanados. O que claramente pode se ver é o poder que a igreja e a religião tem sobre a política no nosso país, o que fere o pensamento de Estado Laico que temos. As mulheres não são apenas fábricas geradoras de bebês, são cidadãs e merecem ter direito sobre seus corpos, sobre suas vidas, e sobre suas decisões.

  6. Encontrei seu link no blog da Lola. Sou totalmente a favor dos estudos com as células tronco. Olha, se a ciência tá aí pra melhorar a saúde e vida das pessoas, pra que ficar impedindo? Seria uma conquista enorme que beneficiaria milhares de pessoas, mas como vivemos em uma ditadura religiosa, as coisas não são tão fáceis a não ser que você concorde com a maioria. Me sensibilizei muito com a sua situação. Força pra ti! :)

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