Por favor, parem com isso.

O que houve: hoje uma página escoteira do Facebook postou uma foto minha com a seguinte frase “Ser escoteiro é: ultrapassar barreiras” (não vou colocar a imagem aqui). Só vi isso agora que cheguei da faculdade, e não consigo achar normal ver várias notificações com pessoas falando “que orgulho”, “minha guerreira”, “modelo de vida” ou qualquer outra coisa do tipo.  Não é bonito eu ser escoteira, mesmo depois do acidente. Eu fiz uma promessa, e só a mantive. O movimento escoteiro não me incluiu, eu não superei barreiras, eu já estava incluída, e as barreiras nunca existiram (ao menos no meu caso). Muito menos quero ser qualquer tipo de exemplo, seja de superação, vida ou atitude. Eu escolhi continuar minha vida normalmente porque me foi natural fazê-lo. Poderia ter reagido de qualquer outra forma. Me incomoda ser estigmatizada. A sociedade não percebe a quantidade de cadeirantes ativos, que vivem sua vida normalmente, e sempre que estes aparecem ganham os mesmos adjetivos. Se o cadeirante ainda se destacar por qualquer motivo, mesmo que minimamente, como no meu caso que sou escoteira também, pronto. Sempre vão me ver como a cadeirante que é escoteira e é um exemplo de vida. Por favor! Será que as associações um dia vão mudar?  Se eu tiver vontade de falar sobre a minha história mais a fundo, escrevo um livro. Não estou fazendo esse blog pra me promover, ele tem missão de dialogar com outros cadeirantes e passar informações uteis. O que eu realmente ganho é a certeza de fazer vocês rirem com as coisas que eu passo, e isso já me basta. Não quero ter que levar a bandeira do meu grupo escoteiro no desfile, lá na frente, porque me destaco. Quero ir com meus amigos, com meu ramo, normalmente e atrás. Eu sou uma pessoa normal. Uso uma cadeira de rodas porque preciso, mas a imagem que quero passar é antes de tudo é a minha, a pessoa que usa a cadeira de rodas, vive uma vida normal, estuda, trabalha, saí e faz qualquer coisa. A cadeira de rodas vem depois, nunca na frente. Eu uso a cadeira de rodas e não ela que me usa. Se as pessoas ainda mantem a ideia que cadeirantes não vivem, é problema delas.
Já cansei de ser considerada exemplo. Não que eu não me sinta um pouco orgulhosa, mas para chegar ao ponto de eu resolver escrever um texto, é porque mais me incomoda do que me faz bem.

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Uma opinião sobre “Por favor, parem com isso.”

  1. Você tem toda a razão, entretanto, por causa dessa mesma foto, fomos procurados (Grupo Escoteiro) por uma cadeirante de 16 anos, incentivada que foi pela postagem. Como vê, existem dois aspectos que devem ser considerados. Você não é uma “coitada” mas um exemplo a ser seguido pelos que ainda não se descobriram. Temos que mostrar a todos os nossos bons exemplos, políticos honestos, cidadãos responsaveis e pessoas que superam e ultrapassam limites. Estamos exausto de ver o que não presta.”Infelizmente” você é uma dessas pessoas. Mas respeito e entendo suas colocações.Sou um obeso mórbido, e sou apontado e debochado nas ruas. SAPS e boas atividades.

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