Sobre quatro rodas e um rostinho bonito.

Estou aqui mais uma vez para mandar o politicamente correto às favas, e explicar o porque ter um rostinho bonito e dois pares de rodas fazem milagres. Vou frisar aqui que não, não é legal enganar, abusar, estorvar  e tirar vantagem sobre as outras pessoas, mas que sim, eu, você, e a senhora sua vó já fizeram, fazem e farão isso. (agora vocês imaginem a musiquinha do Telecurso, porque a aula vai começar!)

De um ponto de vista social, é bem claro a imagem criada de que qualquer deficiente físico é um coitado, digno de pena e incapaz ( 1. Sei que existem exceções à regra; 2. sim, é assim que deficientes são vistos e eu já mandei o politicamente correto pro espaço no primeiro paragrafo, lembra? Continuando…), então a sociedade deve ajudar o deficiente em suas atividades, para que ele não sinta tanto o estorvo que é ser deficiente.

O que acontece, é que as pessoas não podem ver o cadeirante parado no meio de um lugar, que já saem empurrando. Se eu estou numa ladeira perfeitamente normal e possível de subir, um desconhecido já se sente no direito de chegar segurando minhas manoplas e me empurrando, sem que eu tenha sequer olhado pro lado em busca de ajuda, que era algo que eu não precisava. Não posso derrubar um lápis no chão, sem que no minimo três pares de mão apareçam para pegá-lo para mim. Me fazem ficar à mesa, enquanto trazem a comida pra mim, porque é muito incomodo chegar até a cozinha. Sacolas de supermercado então, é algo que quase nunca carrego.

Consequência: vocês me (e a todos os outros que passam por isso) condicionam a ter preguiça. Preguiça de pegar o lápis do chão, carregar qualquer peso, ou fazer qualquer outra atividade banal que eu poderia muito bem realizar. Vocês me mimam, bancando minhas babas.  E eu (nós!) não preciso disso. Foi uma das primeiras coisas que aprendi na fisioterapia: me mexer. É por isso que não torço o nariz de verdade quando meus amigos mandam eu levantar e ir pegar o que quero (e não só por amar humor negro). É porque eu posso.

E ai, a gente fica folgado. Faz biquinho e bate cílios para que vocês carreguem nossas bolsas, caixas, e busquem uma cerveja gelada. Eu faço isso direto e assumo. Se a sociedade me coloca num papel de vitima e ao menos na minha geração, mesmo com todos os esforços vou continuar sendo, algum proveito tenho que tirar. Podem chamar de abuso. Não pegar fila, não pagar exposições ou pagar meia, ou até não pagar em lugares que eu teria que pagar como qualquer outra pessoa (tipo boliche) é ótimo, não vou fazer demagogia sobre isso. E ter quatro rodas me proporciona tudo isso.

PS: O “rostinho bonito” no titulo do texto é opinião pessoal da autora, sujeito a avaliações de terceiros.

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