Rafinha Bastos, Apae e o politicamente correto (ou não)

“Justiça proíbe DVD de Rafinha Bastos por piada com deficientes

Depois de ser condenado no processo movido pela cantora Wanessa, Rafinha Bastos arranjou mais encrenca. O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu liminar que proíbe a venda do DVD do humorista “A arte do insulto”, por conter piadas sobre pessoas com deficiências. A ação foi movida pela Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) e publicada no dia 31 de janeiro no Diário Oficial.

No Twitter, o humorista postou um link com a notícia e escreveu: “Como diria a bruxa do Pica-pau: E lá vamos nós… “.

Rafinha tem 20 dias para retirar o DVD de circulação. Caso não o faça, a multa diária é de R$ 20 mil. O humorista também está proibido de fazer piadas em seus shows que envolvam o nome da Apae e dos deficientes físicos, sob multa de R$ 30 mil para cada citação.” (vi no site do EGO)

Primeiramente quero deixar claro que não vi o DVD, então não tenho noção de como é a piada em questão ou o quão ofensiva ela pode ser.  Frisado isso, gostaria de perguntar se os senhores nunca fizeram piadinhas com negros, japoneses, portugueses, loiras ou etc? Porque esse moralismo todo em um país que é famoso por seu senso de humor “irreverente” e que em quase todas as emissoras de televisão vemos vários programas de humor, que satirizam pessoas? Porque um determinado grupo deve ser preservado, e outro não?

(Esse caso me lembra o processo em que a MTV foi responsabilizada por causa do quatro “Casa dos Autistas”, em que o apresentador Marcelo Adnet ridicularizava pessoas autistas.)

Sim, as pessoas tem o direito de sentirem-se lesadas pela opinião de um terceiro, e tem o direito de processar quem quer que seja. Mas o que não consigo entender é esse moralismo todo. Sou deficiente há quase sete anos, e também sou uma das pessoas que mais faz piadas de “humor negro” sobre a minha própria deficiência. Qualquer pessoa que conviva comigo ou me siga nas redes sociais, vê isso. E se eu mesma que sou, não ligo, porque as outras pessoas se afetam tanto? E não sou uma exceção a regra, conheço outros tantos cadeirantes que lidam com a suas limitações da mesma forma que eu.

Ter preconceito enrustido ok.  Atravessar a rua para não ficar na mesma calçada que o “moleque” negro pode. Tirar um sarro do gordo nerd da sala de aula, é normal. A loira é sempre burra. O homem gay é viado e a mulher é sapatão. Mas o deficiente físico não pode ser chamado de aleijado, e fazer piadinhas sobre a kombi da AACD é feio?

Digam o que quiserem, processem quem acharem que devem processar, mas pra mim isso tudo não passa de falso moralismo.

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