Mais uma vez…

Vagando pelo Twitter ontem de tarde, apareceu na minha timeline um retweet de um amigo que dizia “Podem ajudar a divulgar? Amiga cadeirante impedida de ver filme no Cinemark“. Vou colocar aqui o que a cadeirante colocou no Facebook dela:

“Por ser cadeirante, fui impossibilitada de assistir um filme no Cinemark do Bourbon Ipiranga

Dia 18 de julho de 2011, segunda-feira, fui ao Cinemark do Bourbon Shopping Ipiranga, em Porto Alegre, RS. O que era um programa simples, tornou-se inacreditavelmente “impossível”.

 Eu e mais 03 primos compramos os ingressos e entramos na sala de cinema. Constatando a dificuldade de visualizar a tela, devido sua proximidade, pedi para minha prima, Bruna, solicitar a ajuda de um funcionário. Devido sua demora, solicitei que minha outra prima, Gerusa, fosse verificar o que estava ocorrendo. Minutos depois, elas entraram acompanhadas pelo gerente, senhor Maurício. Ele afirmou que o Cinemark proíbe seus funcionários de prestar auxílio como “este” aos seus clientes. Ou seja, o Cinemark, além de não disponibilizar um local decente para cadeirantes, proíbe seus funcionários de os colocarem em uma poltrona onde possam, ao menos, ver o filme. Apesar de preferir me locomover livremente e saber das leis que asseguram esse direito, abdiquei disso para me adequar ao serviço precário oferecido e, mesmo assim, escuto do representante da empresa que isso NÃO É POSSIVEL?!

 Como o filme estava prestes a começar, minhas primas decidiram que elas mesmas me colocariam na poltrona. Nesse momento, o gerente “informou” que esta ação não poderia ser feita dentro do estabelecimento. Além de não ajudar, proibiu minhas primas de prestarem esse auxílio.

 No primeiro momento da solicitação, quando a Bruna ainda estava sozinha, o senhor Maurício comentou que o cinema não tinha “estrutura”, pois era feito para “pessoas normais”. Normal, anormal ou qualquer outro rótulo ou denominação que queiram dar, não importa. Tenho limitações sim, mas, como qualquer outra pessoa, paguei por um serviço, pelo qual não fui informada que não poderia usufruí-lo.

 Durante este lamentável acontecimento, meu único desejo era me esconder, chorar de raiva, pois além de me sentir severamente lesada como consumidora, me senti diminuída como pessoa. E pior, pelo tom usado pelo funcionário, me senti culpada por estragar o passeio das pessoas que me acompanhavam, entre elas, uma criança.

 Além de tudo, por instantes, o gerente me fez acreditar que o problema em questão era eu, e não sua empresa… Que inversão de valores é essa?

 O caminho mais simples é “deixar assim”, mas me nego a considerar essa possibilidade. Por isso, peço que ajudem minha voz, que continua embargada, a ser ouvida por outros, sejam eles donos de estabelecimentos ou pessoas que, devido às injustiças vividas diariamente, desistem de lutar por seus direitos, por menores que sejam, como assistir um filme numa segunda-feira a tarde…

 Agradeço a colaboração!

 Grande abraço,

Vitória Bernardes

21/07/2011″

 

Li o depoimento da Vitória e fiquei indignada. Ter o direito de assistir um filme negado por estar em uma cadeira de rodas, ainda nos dias de hoje, soa absurdo. Fora a falta de preparo e tato da equipe do Cinemark. Já fui em cinemas stadium, mas quando vou neles procuro ir com um amigo mais fortinho, que consiga me colocar numa das poltronas do cinema. Também já aconteceu de assistirmos no lugar reservado para cadeirantes mesmo, lá embaixo, por pura preguiça de subir. Mas sempre prefiro cinemas que não sejam nesse formato, justamente para não ter nenhum problema.

Também já enfrentei problemas na rede Cinemark, especificamente na bilheteria do Shopping D. A moça da bilheteria se negou a me vender a minha meia entrada, alegando que eu devia apresentar uma “carteirinha de deficiente”. O que é isso? Carteirinha da AACD? Bilhete Único Especial? Porque se existir essa carteirinha mesmo, estou com a minha seis anos atrasada.

Falando com meu pai sobre esse caso, ele me lembrou de um fato: apesar de parecer errado, consigo entender a postura do gerente em não permitir que os seus funcionários ou até mesmo um dos familiares da moça a colocasse na poltrona, pois se eles a derrubassem ou acontecesse qualquer outro acidente, a responsabilidade é do estabelecimento.

Mas não posso também, deixar de falar da falta de preparo e da conduta péssima do gerente, dizendo que o cinema ‘era feito para ‘pessoas normais’“. Não preciso nem falar aqui das leis que garantem aos deficientes físicos o direito de ir e vir, e que obrigam todos os estabelecimentos a se adaptarem.

Pelo que vi no Facebook, a Vitória irá entrar com um processo contra o cinema. Espero que ela ganhe, realmente. Mas acho que essas histórias vão se repetir enquando ainda houver salas de cinema stadium.

Aqui vai o link da página do Facebook, pra quem quiser acompanhar essa história: http://on.fb.me/qCcKSN

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2 opiniões sobre “Mais uma vez…”

  1. Muito obrigada pelo apoio e divulgação. É bom saber que não estou sozinha!
    Também compreendo a postura do Cinemark, porém é importante ressaltar que eles também não podem garantir que qualquer outro cliente quebre o pé, por exemplo, ao subir/tropeçar nas escadas. A forma com que as coisas aconteceram é que não foram “legais”… Mas é isso aí, cabe a nós mostrarmos quais são nossas necessidades e lutarmos para que elas sejam atendidas!

    Grande abraço,
    Vitória Bernardes

  2. Vitória

    Me chamo Claudio, pai de uma criança com 06 anos de idade, Cadeirante, e, no mês de julho do ano de 2011, pela manhã, levei o meu filho ao Shopping, mas, como não estava planejado esse passeio, pois ficaria pouco tempo ali, o tempo necessário para a minha esposa fazer uma prova, não levei a cadeira de rodas dele, ele pesava em meu braço, até para o conforto dele também, me pediu também para brincar no “game Station”, foi ao setor de empréstimo de cadeiras de rodas pegar uma pra ele, nesse momento ao chegar nesse lugar havia apenas uma cadeira, então, obvio, solicitei o empréstimo, em ato contínuo a funcionária negou o empréstimo alegando que a cadeira não poderia sair daquele local porque poderia ser usada em um eventual socorro, diante da negativa me senti “pequeno”, ou “diminuído como pessoa” assim como aconteceu com você, em não conseguir proporcionar para o meu filho um momento de alegria e descontração, impediu o direito dele de “ir e vir”, chorei, como disse me senti um nada, não é fácil para um pai, o que explicar a ele? Em seguida, procurei a administração e formulei a queixa, no meio da tarde, uma pessoa, representante do Shopping, ligou e pediu desculpas, se retratando, mas tentando se redimir da pior maneira, dizendo que “só havia duas cadeiras, uma estada emprestada e a outra para socorro, as demais estavam quebradas e a procura era pouca por esse publico…”. Procurei o Ministério Publico e entrei com uma ação no Juizado. Ainda aguardo ser atendido nas duas instituições. Abraços

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