Outras rodas #03

Texto da Cris Costa, vi no Blog Mão na Roda.

“Limitação?

Às vezes não entendo esse olhar de limitação que muitas pessoas têm com cadeirantes. Ok, tem lugares que não consigo ir, outros vou com alguma dificuldade e posso precisar de ajuda. Em alguns, vou conseguir ir numa boa. Outros não vou querer ir e vou usar a cadeira como desculpa. Mas por que sentir pena ou admiração? Será que é porque muitos não conseguem enxergar, quiçá lidar, com as próprias limitações e aí quando vêem alguém com uma limitação visível tem esse tipo de sentimento? Posso estar errada. Vai lá saber o que realmete se passa na cabeça do outro, mas às vezes tenho a impressão que muitos estranham o fato de cadeirantes respirarem e não serem verdes com anteninhas.

Tá, entendo que o diferente salta aos olhos. Cada vez que vejo o Brad Pitt penso: “Eca, que ome bonito, sai daqui, xô!”. Mas porque a cadeira carrega tantos estigmas? Limitação, tristeza, vida incompleta e sei lá mais o que se passa na cabeça das pessoas. Será que é isso que a gente passa? Quando alguém vem me falar de limitação, penso logo na minha mãe que não cansa de dizer : “Você não tem limite?”. E acreditem, não me soa como elogio quando ela fala isso, rs.

Essa questão da limitação sempre foi muito estranha pra mim. Não me sinto limitada pela cadeira. Minha preguiça me limita muito mais. Minhas neuroses então, muitas vezes me paralisam. Não é assim pra todo mundo? Então porque a cadeira assusta tanto?

Canso de ver gente nova, inteligente e fisicamente “perfeita” e que não consegue dar um passo na vida. Fica estagnada sem fazer nada por si, simplesmente vendo o tempo passar. Pior, nem nota que isso acontece. E quando vê um cadeirante, acha que ele é o limitado. Não consegue olhar e ver uma pessoa que tá somente seguindo com sua vida.

Ai me pergunto: quem é o limitado? Entendam, não sou melhor nem pior do que ninguém. Apenas diferente. Mas não somos todos diferentes de alguma forma?

Limitação pra mim tem a ver com acomodação, restrição. É uma paralisia, mas não física. É quando não se consegue fazer um movimento pra melhorar a vida. Também tenho minhas encucações, mas nem por isso deixo de ir atrás do que quero.

Vamos lá gente, somos movidos a desejo! É isso que nos faz seguir em frente. Se eu vou sentada, em pé, com ou sem ajuda é secundário. Pelo menos para mim, é. O importante é perseverar e construir, fazer escolhas que nos agreguem e acrescentem algo para que a gente consiga realizar nossos desejos, sonhos, vontades, chamem do que acharem melhor. Sim, eu sei que numa cadeira as coisas não são fáceis. Tem (muitas) horas que dá no saco mesmo. Tudo é mais difícil, quando não parece impossível. Mas isso acontece com qualquer pessoa. Todos tem seus dias de “minha vida é um saco, porque não sou a Angelina Jolie?”. Mas nos prender às dificuldades é que é limitação. E não podemos fazer nada pelo outro, muito menos mudar a forma como nos vêem. O problema é quando esse é o nosso próprio olhar. Ai é hora de parar e rever os valores. Mas sempre penso que a cadeira não define quem eu sou, apenas como eu vou. A limitação tá no olhar de quem vê, não em mim.”

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