Eu fui: Foo Fighters!

Seja você da turma dos fãs que acompanham a banda desde seu nascimento em 1995 (ou que se tornaram fãs no meio desse caminho, como o meu caso), ou da turma que acha que é muita fama pra pouco rock, a opinião de quem assistiu ontem é unanime: o Foo Fighters proporcionou para os 67 mil fãs que lotaram o estádio do Morumbi, um show não mais do que impecável.

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Em quase três horas de show, a banda formada por Dave Grohl (voz e guitarra), Chris Shiflett e Pat Smear (guitarra), Nate Mendel (baixo), Taylor Hawkins (bateria) e o tecladista contratado Rami Jaffee compensou toda a chuva que caiu pesada desde o inicio do show dos Raimundos (e voltou a cair no fim do show, durante o clássico da banda Best of You), e todo o transito enfrentado para chegar ao estádio com clássicos de seus oitos discos.

Era setembro quando me inscrevi no site para a pré venda dos ingressos exclusiva do Foo Fighters Brasil. No dia 28 de setembro, mais ou menos meio dia, lembrei e fui correndo comprar os ingressos. A fila no site já estava enorme! Quando finalmente conseguimos comprar os ingressos ficamos tão felizes que mal posso expressar aqui em palavras. Até fizemos dancinha da vitória.

Ingressos impressos, camisetas compradas na Galeria do Rock para o show, só nos restou esperar. Agora, por favor, entendam a minha comoção: no primeiro show deles (Rock In RIo, em 2001) eu tinha 8 anos. O segundo (Lollapalooza, em 2012) eu não tinha dinheiro. Então ou era esse show ou era esse show.

Eu mal pude acreditar quando eles anunciaram a vinda da turnê Sonic Highways pro Brasil. Ainda estava amargurada com o anuncio de fim da banda feito em 2012 depois do fim da turnê do álbum Wasting Light. Só conseguia pensar “minha nossa nunca vou ver o Foo Fighters ao vivo!”, mesma sensação que carrego por nunca poder ir no show do The White Stripes ou da Amy Winehouse. Imaginem minha alegria ao acordar ontem e poder pensar “É HOJE!!!“.

Como o show foi durante a semana, trabalhei normal até às 15h e encontrei a Karla, amiga do trabalho e também fanática, e fomos juntas. Pegamos o metrô na Liberdade, descemos na Luz, e de lá fizemos baldeação na Linha Amarela até a Faria Lima. Descemos e pegamos um ônibus que nos levou até o estádio. O motorista, que por sinal era hilário e fez questão de tirar as pessoas do ônibus até eu conseguir entrar, me deixando exatamente no portão 17, onde era a entrada dos PNE.

Encontrei o João e fomos recebidos por staffs, bombeiros e seguranças, que me informaram que havia duas opções: ou escolhia ficar na área separa para PNE na pista, mas esta era descoberta, ou ficava na separada coberta, que descobri ser nas arquibancadas. Logicamente escolhi enfrentar a chuva na pista, e essa se mostrou a escolha mais acertada: paguei ingresso para pista (160 reais) e acabei assistindo o show na pista premium amarela (320 reais) – valores sem taxas inclusas. Economizei metade do valor do ingresso!!!

Os acompanhantes não podiam ficar conosco no chiqueirinho, já que a prioridade era nossa, mas podiam ficar na pista premium, envolta. Depois descobri que isso aconteceu por um erro da organização do show – era para ser montadas duas áreas pra deficiente, uma na pista normal e outra na premium, mas eles só montaram na premium, por isso só cabiam os PNE’s sem acompanhantes. Acabou que depois eles deixaram todos entrar e assistimos todos juntos.

Minha vista do palco, diretamente do chiqueirinho.
Minha vista do palco, diretamente do chiqueirinho.

Não tirei fotos das entradas, nem da área separa para os PNE (que era igual a todas as outras que já fui). O acesso pelo estádio é muito tranquilo e também tínhamos um banheiro químico separado junto do cercadinho.

Depois foi só esperar os shows começarem. O primeiro show de abertura foi dos Raimundos e foi uma pena o show ter durado tão pouco. Outro problema fora o tempo de show foi que em uma das músicas o microfone do vocalista ficou sem som. O segundo foi do Kaiser Chiefs, de quem só conhecia o sucesso Ruby, mas fiquei com vontade de ouvir mais depois do show, pela simples e pura desenvoltura dos caras no palco.

O terceiro e principal show da noite começou às 21:20. Mal posso escrever aqui de verdade sobre eles. Não teve chuva, celular pifado (ele resolveu beber metade da água que choveu e não liga mais 😞 ) ou qualquer outra coisa que possa ter tirado a beleza daquilo tudo. Foram 23 músicas tocadas impecavelmente, com explosão de papel vermelho e milhares de lanternas (nos celulares) ligadas. Também teve tombo do Dave logo na introdução da primeira música e teve pedido de casamento também.

Dave terminou o show dizendo que se nós voltássemos, eles voltariam. Não posso falar pelas outras milhares de pessoas presentes no estádio, mas eu volto.

Vlw, flw, até a próxima!
Vlw, flw, até a próxima!
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Nós precisamos falar sobre a Lais (de novo).

Achei, realmente achei que já tinha exposto aqui tudo que havia pra falar sobre a Laís Souza. Desde então pipocaram algumas notícias na mídia sobre ela, como a notícia que foi aprovado no senado sua pensão vitalíciaQuero aproveitar o momento, aqui nesse primeiro parágrafo, antes de tudo mesmo, pra pedir que por favor vocês não confundam e digam que eu tenho inveja dela. Eu tive tratamento, consigo todo mês meu equipamento necessário (como material de sondagem) e vivo com conforto.

Não é isso, mesmo. Mas continuo sim a achar que é desproporcional uns terem tanto, e outros nada. Ela tem sua pensão, justa, por ser uma atleta e estar representando o país, quando o inevitável ocorreu. Ela merece. Todos nós merecemos, para ter uma mínima condição de vida, com dignidade.

No dia 07 de dezembro a Folha de São Paulo fez uma reportagem que trata de uma pesquisa encomendada pela Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo sobre o custo da igualdade de oportunidades para uma pessoa com deficiência. Basicamente, um estudo pra estipular o quanto nós gastamos pra ter qualidade de vida.

Esse estudo levou em consideração os vários tipos de deficiência e até coisas mais caras, como a compra de um carro.

Segundo o estudo, uma criança ou jovem cego 1.140 reais por mês. Na mesma faixa, um criança ou jovem com limitações físicas moderadas gasta 1.344 reais; e, uma criança ou jovem com limitações físicas severas gasta 6.340 por mês. É muito dinheiro.

Para conseguir bancar todos os custos, muitos de nós trabalham em um emprego regular e outro emprego como “bico“. Há um beneficio, geralmente no valor de um salário mínimo, o BPC (Benefício de Prestação Continuada) “que assegura a transferência mensal de 1 (um) salário mínimo ao idoso, com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais, e à pessoa com deficiência, de qualquer idade, com impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

O problema deste benefício é que ele é pago apenas para quem não está no mercado formal de trabalho, com carteira assinada. Quem trabalha, por exemplo, em alguma empresa, não tem nenhum tipo de auxílio do governo, e muitas vezes apenas com o salário não é possível pagar fisioterapia, uma troca de cadeira de rodas, e tantos outros gastos que podem surgir.

10418385_769062879810288_4471286404231197898_nA deputada Mara Gabrilli, para igualar esta realidade, dentro da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) está lutando pela criação do Auxílio Inclusão, pago à pessoa com deficiência que está ou que entrar no mercado formal. Por menor que seja benefício, qualquer ajuda é muito importante, e a aprovação da LBI trará outros inúmeros benefícios para os 45 milhões de deficientes do país.

Tá, mas e a Laís? Vou voltar pra ela agora. No último sábado ela participou do programa Caldeirão do Hulk da Rede Globo, e desde então surgiu uma avalanche de posts sobre ela, desde comemorando sua volta ao Brasil (ela voltou pro Brasil depois de 11 meses afastada, desde o acidente em janeiro pré Olimpíadas de Inverno de Sochi), desde criticando o apresentador Luciano Hulk por perguntar a ela se ela não sentiu dor na hora de fazer suas tatuagens. Vou colocar o vídeo aqui pra contextualizar quem ainda não viu:

Eu não vi o programa. Mas mesmo vendo só este pedaço, sério gente, vocês vão xingar ele pra sempre só por que ele não sabia que ela não tinha sensibilidade nenhuma na parte do corpo que ela fez as tatuagens? Lembrando que cada lesão é uma lesão e que ela podia sim ter a sensibilidade, tá? Não custa nunca perguntar, com educação, como o apresentador fez. Parem de ser boçais e ver maldade em tudo.

Ninguém viu todo o programa, pra ver o Hulk levando os amigos e pessoas queridas dela para recepcioná-la (ela estava fora do país desde o acidente), ou ele conduzindo a entrevista com o maior cuidado? Claro que não. Ele deve ser apedrejado por que fez UMA pergunta errada.

O problema real, como disse o amigo Jairo Marques em um pequeno desabafo no Facebook, é a forma como está sendo ventilado a recuperação dela nas redes sociais, como se ela fosse voltar a andar até as Olimpíadas de 2016 e Miami fosse um lugar de milagres, e qualquer pessoa que vá lá terá suas graças alcançadas. Calma. Ela sofreu o acidente em janeiro. Qualquer lesado medular em um ano de lesão sofre alterações dentro de seu próprio diagnóstico. O que não dá é pra se manter essa exploração midiática suja, querendo canonizar a menina e transformá-la em Santa Laís, Padroeira das Causas Aleijadas.

Ela fez um tratamento inovador em Miami com células troncos e voltou a ter sensibilidade nos pés, quadro que sua lesão medular não possibilitaria sem este tratamento. Sorte a dela. Ela está bem. Ela vai ficar bem. Tem um gente especializada cuidando dela e pessoas que a amam muito e querem apenas o bem dela, cuidando dela.

Ao invés de utilizar as mídias para ficar ventilando aspirações de que ela volte a andar, que os EUA é um centro de milagres, vamos voltar as nossas atenções para coisas mais urgentes como a aprovação da Lei Brasileira de Inclusão, que entra em pauta de votação no Congresso Nacional amanhã. Vamos voltar nossas atenções para passar boas energias para a Lais, em sua recuperação, ajudando que ela continue avançando, todos com os pés no chão.

Menos mimimi e mais atenção, não pelo bem estar de um, mas pela coletividade. Seria bom, pra começar. E vamos deixar a Lais em paz.

Eu fui: Hopi Hari

Faz mais ou menos um ano e meio que eu descobri que o Hopi Hari tinha um programa feito especialmente paras as pessoas com algum tipo de deficiência, o Programa Código Azul. Claro que fiquei completamente maluca para ir testar (fazia mais ou menos uns 11/12 que não ia lá). Então imaginem qual foi minha alegria quando ganhei um par de ingressos no trabalho! Arrumei minhas coisas, intimei o namorado, e no último domingo (dia 30) fui ver como era de verdade.

Criado em 2001, o Programa Código Azul é uma iniciativa do parque para um melhor atendimento da pessoa deficiente 02(também recomendado para idosos, gestantes e pessoas recém fraturadas), onde os funcionários são treinados para elaborar um mapa personalizado com base nas suas restrições (uso de medicação, movimento e coordenação, se há acompanhante ou não), estabelecendo assim os brinquedos que podemos ou não podemos ir.

Este mapa deve se apresentado em todas as atrações que eu queria brincar (respeitando as restrições de acesso já estabelecidas no próprio mapa), e o programa também possibilita a prioridade de acesso aos brinquedos (do deficiente e do acompanhante) respeitando a regra de que só posso voltar no mesmo brinquedo dali uma hora. E convenhamos, não pegar fila no Hopi Hari é uma vantagem enorme10846614_10205513388136838_972488185_n

Reservei na semana o Hopi Bus (eles pedem no mínimo 24h de antecedência) porque não compensaria irmos de carro, pagando gasolina e estacionamento do parque. Há várias opções de saída dos ônibus, inclusive perto de estações do metrô, e cada ponto tem um horário de saída e retorno específicos.  A minha surpresa na hora do embarque foi descobrir que também não pagaria a passagem (que custa 40 reais, a ida e volta), só precisei assinar uma ficha.

Embarcamos, e depois de mais ou menos uma hora chegamos por volta das 10h. O acesso do estacionamento à entrada do parque é tranquila, há rampas e os funcionários foram super solícitos ao tirar as grades de proteção para eu passar. O parque só abriu às 11h, enquanto isso esperamos na fila preferencial (e na sombra!).

Entramos primeiro, fomos direto no balcão do Código Azul, onde fiz meu cadastro e do meu acompanhante. Fiquei muito revoltada porque vi que não podia brincar nos seguintes brinquedos: La Mina Del Joe SacramentoWest River Hotel, Rio Bravo, Evolution, Spleshi, Tirolesa (SIM, eu QUERIA ir na tirolesa) – isso deu quase todos os brinquedos da parte Wild West do parte – Montezum, Ekatomb, Katapul, Tokaia e Hadikali. Sim, a lista é grande. Sim, eu xinguei muito. Mas, toda via, entretanto, depois de conversar com uma funcionária eu entendi que o acesso nesses brinquedos ou é feito por escadas ou é muito difícil. Claro que eu queria ir na Montezum, por exemplo, mas só de olhar para os 15 lances de escadas que tem para chegar no brinquedo em si, entendi que não dava.

Mas isso não significa que eu não ache que eles podiam colocar um elevador nos brinquedos, né? Com a estrutura que o parque tem, não custaria. Eu sei que tem brinquedos que nem adiantaria, como no caso do Rio Bravo em que a plataforma de embarque fica girando, sendo impossível parar a cadeira de rodas do lado do bote para embarcar, mas eu vou carregar pra sempre dentro do meu coraçãozinho o sonho de ir na Montezum.

No fim, me sobrou pra ir a Vurang (montanha russa no escuro, fui quatro vezes), o Vulaviking (barco viking, fui duas vezes, odeio barco viking, odeio, tô tremendo até agora), o Bat-Hatari (montanha russa menor do Batman, mas não se enganem pelo tamanho, achando que é pra criança: ela é rápida. Muito rápida. Fui três vezes nela), no Dismonti (carrinho de bate-bate, o João acelerou pra mim enquanto eu dirigia e na segunda vez ele dirigiu e eu fui de passageira, quase voando do carrinho a cada batida, claro), e fomos uma vez no Simulákron, cinema com aquelas cadeiras que tremem e balançam de um lado e pro outro. O acesso aos brinquedos é sempre feito pela saída.

Para entrar e sair dos brinquedos quem me carregou foi o João, mas quando dei alforria pra ele ir na Montezum, desci até a Vurang pra dar uma volta, e os funcionários mesmo me colocaram no carrinho e depois tiraram, com o maior cuidado. Alias o ponto forte pra mim foi o atendimento dos funcionários mesmo, que sempre ajudavam com informações, trazendo e tirando a cadeira de rodas pra gente. No Dismonti eles chegaram até a ligar o brinquedo, pedindo pra ninguém mexer os carrinhos ainda, só pra manobrar um carrinho até onde eu estava (nunca tinha tido manobrista de carrinho de bate-bate, adorei).

04O parque conta com vários restaurantes, distribuídos por cada zona, e você pode comer cachorro quente e pizza na parte infantil (Infantasia), refeições como bifes com fritas ou costelinhas no Wild West, ou hambúrgueres e massas no Aribabiba. Isso fora os vários carrinhos de sorvete, refrigerante, pipoca, algodão doce, churros e maçã do amor espalhados pelo parque. Os banheiros também eram bem distribuídos, geralmente perto da parte de comida, e tinha barras em boas alturas.

Ainda fizemos cartinhas pro Papai Noel enquanto esperávamos o horário da oficina de chocolate começar, e depois ficamos brincando a tarde toda. No final da noite assistimos o show de natal, muito bonitinho por sinal, patrocinado pela Coca Cola (teve direito ao urso polar e tudo mais), demos mais duas voltas nas montanhas russas e esperamos o show de fogos, antes do parque fechar.

O ônibus saiu no horário previsto, e 23h já estávamos em casa, chorando por um banho quente e uma cama fofinha.

Pretendo voltar outras vezes, mas daqui um tempo. Ainda estou cansada demais. Passeio mais do que recomendado.

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Hopi Hari me dá replay!

Eu fui: Circuito Banco do Brasil 2014

No último sábado (01 de novembro) foi a vez da capital paulista receber a segunda edição do Circuito Banco do Brasil. Além de contar de um line up nacional com shows das bandas Pitty e Skank, o line up internacional do evento contou com shows do MGMT, Paramore e Kings Of Leon.

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O “como chegar” ao Campo de Marte foi bem sossegado. Pra quem foi de metrô, como eu, as opções eram ou descer na estação Carandiru, ou na estação Santana. Arrastei o namorado pra ir comigo e escolhemos descer na Santana (pra almoçar antes, claro) e até o local foram uns 10 minutos de caminhada.

Ao chegar, vimos que a fila estava enorme. Perguntamos para um staff onde ficava a entrada do PNE (Pessoa com Necessidades Especiais) e nos foi orientado a seguir caminhando porque ainda estava um pouco longe. Fomos felizes e contentes, cortando por fora da fila e da grade de proteção, porque além da calçada estar apinhada de gente impossibilitando um deslocamento minimamente descente, a calçada estava abarrotada de lixo (primeira falta da organização, a falta de lixeiras pelo caminho) e cheia de buracos (afinal, ainda estamos falando de SP).

Aqui temos o primeiro grande problema do dia. Toda essa caminhada foi para chegar na entrada principal do Campo de Marte e um senhor da organização mal olhar na minha cara e dizer que eu tinha que voltar, porque eles não conseguiam abrir de jeito nenhum a grade de proteção. Nem explicando que a grade era de encaixe, que eu sabia sim, e que era só abrir um pouquinho. Tive que caminhar de volta sim.

Agora me expliquem como a entrada principal não tinha entrada separada pra PNE? No Lollapalooza nós pudemos passar a barreira com o carro e desembarcar em uma entrada que era reservada para nós. Quem é PNE muitas vezes vai a esse tipo de evento de carro (tipo ‘papai leva’, ‘alguém me deu carona’ ou ‘vim dirigindo, ué’) e é meio lógico desembarcar na entrada principal. Agora diga pra esse mesmo PNE com alguma dificuldade de locomoção que ele vai ter que se acotovelar com todo mundo, pular os buracos, o lixo, até chegar na mesma entrada que ele já foi?

Tudo isso pra voltarmos um pedaço, pararmos na entrada onde era feita a credencial de imprensa, onde um outro staff da organização sem nem pedirmos, prontamente ofereceu e abriu um pedaço da grade para nós passarmos? Era tão difícil organizar direito?

Passado o drama do como entrar, o resto da entrada foi bem tranquilo. Unica coisa chatinha também aqui foi minha garrafa de refrigerante ficar retida na revista da bolsa, mesmo o site do evento dizendo que nós podíamos levar. Tudo isso pra fazer a gente gastar dinheiro lá dentro, claro. Após a revista e validar os ingressos nas catracas, estávamos livres pra curtir todo o espaço do evento.

Ganhamos nossas pulseiras para podermos comprar bebidas alcoólicas e também pegamos um banquinho de papelão que estava sendo distribuído. Era uma caixa, que você montava e dobrava. Foi muito útil no sol, pra fazer uma sombrinha, e depois pra ficar sentado numa boa, assistindo aos shows. Pena que não aguentou a chuva e virou massinha. #chateada

Logo ao entrar um bombeiro veio oferecer orientações sobre o espaço, avisando que vários deles estariam por todo o Campo, se eu precisasse de alguma ajuda no deslocamento, e orientou onde ficava o lugar de PNE e sugeriu muito enfaticamente que fossemos pra lá logo, pois o lugar iria lotar. Eu que não sou boba de não seguir orientação de bombeiro, fui logo pra lá.

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Esse era o lugar separado para nós. Do lado da torre de transmissão e entre a pista premium e a pista, era como se estivéssemos na parte de traz da premium. A altura da estrutura era perfeita, enxergamos o palco mesmo com toda a pista premium na nossa frente, e ela aguentou firme, sem balançar nem um pouquinho, 30 pessoas em cima dela, mesmo pulando.

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Banheiro adaptado, outra questão: na nossa área reservada haviam dois. Um do lado da área de PNE, outro atrás. Quem dera tivesse só atrás, já que com o calor o cheiro químico ficou no ar. O mesmo calor tornou quase insuportável usar ele de tarde (passei mal de verdade lá dentro), e de noite estava impossível de usar por conta do próprio uso. Banheiro químico é banheiro químico né.
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Minha vista para o palco

Todos os espaços de alimentação eram um pouco longe, e quando a pista lotou ficou impossível sair de lá. Para nossa sorte foi  permitido entrar com comida e haviam ambulantes passando na nossa frente, vendendo refrigerante, água e cerveja.

O primeiro show do dia foi o da banda Helga, ganhador do concurso organizado pelo próprio Circuito, o Voz Para Todos. Mesmo com um repertório próprio e desconhecido, foi um bom começo de shows.

O segundo show foi o da Pitty, que mesclou sucessos dos três primeiros álbuns com o novo (o SETEVIDAS). Como sempre, empolgou o público, enquanto nós bradávamos em coro o já tradicional “Pitty, gostosa!“. O terceiro show foi o do Skank, que tocou os sucessos novos e antigos da banda, e fizeram todos nós dançarmos na chuva.

Sim, chuva. Uma chuva que obrigou a nós todos colocarmos as capas de chuva que foram distribuídas pela organização. Nosso lugarzinho de PNE não tinha cobertura, o que fez que nós queimássemos no sol forte, até que o céu foi todo coberto de nuvens, e então ficamos ensopados debaixo de uma chuva que durou mais ou menos duas horas (começou no comecinho do show do Skank e só parou no final do show do MGMT). Um toldo não tinha feito mal pra ninguém ali. Era só colocar um pedaço de lona estendido e certeza que não íamos reclamar.

Momento Preferia Estar Vendo o Filme do Pelé: show do MGMT. Me desculpe quem goste, mas com aquela chuva comendo solta e as queimaduras de sol ardendo, o som indietrônico e com efeitos psicodélicos deles não me empolgou. Dormi e só acordei por que a bombeira que estava cuidando de nós PNE’s veio preocupada verificar se eu estava passando mal. Era só sono, dona bombeira (mas obrigada pela preocupação! ❤).

Momento REVOLTA: no intervalo entre o show do MGMT e do Paramore, do nada entraram vários fotógrafos na área entre a pista premium e nosso cercadinho PNE, e eles ficaram em pé na grade pra tirar fotos do palco, tapando totalmente nossa visão. Depois de muitos gritos da nossa parte explicando não tão delicadamente que não podíamos levantar pra ver o show e pedidos caridosos para que eles tirassem as bundas da nossa frente, a organização informou que eles não poderiam ficar ali e pediu que eles se retirassem. Cara feia deles, palmas e gritos de viva por nossa parte.

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Momento da invasão

Abrindo os grandes shows da noite, o Paramore (por quem o público já estava gritando antes mesmo do fim do show do MGMT) empolgou o público em sua apresentação que durou cerca de uma hora. Tocaram todos os clássicos da banda, com direito a todas as dancinhas de cada música. O público presente foi a loucura com o show, esquecendo o frio, as capas de chuva molhada e toda a lama.

Parenteses aqui pra comentar da fã que foi chamada pro palco pra cantar com a Hayley o primeiro grande sucesso da banda, Misery Business. Ah se nosso cercadinho não fosse longe do palco e a gente pudesse subir lá também!

O Kings Of Leon veio como atração principal, encerrando a noite. Foi a terceira passagem da banda pelo Brasil e foi tudo tão impecável que não tenho nem o que ficar falando muito aqui. Desde o efeitos nos telões, até o setlist que contou com os clássicos dos álbuns anteriores, até os sucessos do novo álbum (lançado ano passado o Mechanical Bull). Ainda rolou uma despedida falsa, com direito a volta ao palco para mais três sucessos, e então ali encerrar a noite.

Os shows acabaram por volta das 00h20. Pra quem dependia de metrô e sabia que esse só funcionava até às 01:00, ficar e esperar todas as pessoas saírem primeiro para depois irmos, evitando a multidão, não foi opção. Saímos junto com todos e enfrentamos o segundo grande problema do dia. A organização não retirou as grades de proteção da calçada, facilitando o acesso do público pra rua. Ao chegarmos na grade, eramos (empurrados) obrigados a seguirmos ou pela direita ou pela esquerda, na calçada. Impossível de fazer com todo o empurra empurra que estava rolando. Nossa sorte foi uma brecha aberta na grade, que nos possibilitou passagem pra rua.

Nessa de conseguir sair e correr até o metrô, conseguimos pegar o último trem pra casa, às 00:55. Mais cinco minutos e por conta de toda a confusão eu não teria como voltar pra casa.

O único grande ponto positivo que tenho pra falar aqui pra vocês foi o fato de o local escolhido pro evento ser totalmente reto. Bem diferente do horror de deslocamento que foi o Lollapalooza, cheio de declives.

Achei sim que a organização errou feio errou rude nessas questões de organização. Um pouco mais de planejamento e tudo teria sido perfeito. Fica as sugestões para a próxima edição. Quem sabe eu não vou também pra fiscalizar tudo de novo?

Falta de respeito e acessibilidade nas eleições 2014

Previsto no art. 14 da Constituição Federal, todo eleitor a partir dos 16 anos tem direito ao voto, secreto e direto (“aquele que não possui mediações entre o resultado e o voto, ou seja: quando é dado o mesmo valor e importância ao voto de cada eleitor, independente do conjunto social e político a que este pertença”).

O cidadão perde o direito ao voto quando há cancelamento de naturalização transitada em julgado, condenação criminal transitada em julgado (enquanto durarem os efeitos desta), se apresenta incapacidade civil absoluta, recusa de cumprir a obrigação ou prestação alternativa e improbidade administrativa. Não poderá alistar-se como eleitor se está conscrito durante serviço militar e, os cidadãos estrangeiros.

Um deficiente só não poderá votar nos casos de incapacidade mental reconhecida, onde há comprovada falta de discernimento deste. A simples presença da deficiência em si não é desculpa para não votar, embora ainda seja comum o consenso popular que o nosso voto é, no mínimo, facultativo.

Nós temos o direito de votar e escolher nossos representantes da mesma forma que qualquer outro eleitor. É um direito inclusive garantido pela Resolução n. 23.381 de 2012, que trata da garantia da participação igualitária e acessível na vida política. Então, imaginem qual não foi minha surpresa depois do primeiro turno ao ler noticias sobre deficientes que não conseguiram votar por falta de acessibilidade em suas zonas eleitorais.

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Vejam, eu nunca passei por isso. Tive que tirar meu titulo aos 18, para fazer a matricula da faculdade. Compareci até o cartório eleitoral correspondente ao meu endereço e fui atendida pelo chefe do cartório, que prontamente me mostrou uma lista de colégios que eu poderia escolher, inclusive me indicando qual contava com a melhor acessibilidade (voto em uma unidade do Senac atrás do metrô, e o prédio conta com rampa na entrada, elevador, banheiros adaptados, e ainda um estacionamento coberto onde posso parar o carro caso a rua esteja cheia ou esteja chovendo).

Mas sou exceção. Entre meus amigos cadeirantes há aqueles que não tem problema nenhum, como eu, e os que enfrentam os mesmos descasos noticiados.

Daniel, um amigo que é mesário há duas eleições postou (coincidentemente) em seu Facebook o seguinte relato:

Domingo (05/10), fui mesário na escola em que voto há quase 10 anos. Minha seção eleitoral fica no primeiro andar da escola cujo único acesso é por duas escadas. Lá pelas 14h uma das fiscais foi até minha seção e perguntou se eu e outro mesário poderíamos ajudá-la, respondemos que sim e aí descobrimos que a ajuda era para levar um cadeirante até a nossa seção, pois não tinha como ele subir. Praticamente 1 hora depois a cena se repetiu. Será que a Justiça Eleitoral não podia facilitar a situação? Fora que o que me deixou impressionado é que lá não tem só as seções do meu andar, têm no mínimo outras quatro no térreo, inclusive o banheiro masculino é bem adaptado.

A Mila mora em Salvador, e em toda votação enfrenta os mesmos problemas:

Voto em um colégio no subúrbio ferroviário de Salvador, onde morei uns anos atrás. Antes, eu votava numa escolinha pequena, numa rua calma, era mais tranqüilo mas a calçada era péssima. Mudamos para um colégio grande, no mesmo bairro. O colégio tem uma rampa, porem estava obstruída por motos, como é possível ver nas fotos. O colégio tem acesso, mas a rampa estava suja, cheia de santinhos e escorregadia, sem corrimão. A rampa de entrada é lateral, essa escada ai é na entrada principal, e a rua não é bem pavimentada. Só pensei nos jovens com deficiência que por ventura estudam ai.

Marina mora em Campinas, interior de São Paulo, e como eu não tem nenhum problema em sua zona eleitoral:

Sempre votei no mesmo local e nunca tive problemas na questão da acessibilidade. Na verdade a estrutura do lugar e preparo da equipe do local só melhoram a cada ano. Minha sessão ficava na parte interna e antiga do colégio. Além de eu ter que utilizar uma porta lateral de folha dupla que quase sempre estava metade trancada (o que me fazia ter que pedir auxílio de funcionários), nessa área os corredores são bem estreitos e sempre acontecia um “gargalo” no fluxo de pessoas. Ou passava eu, ou as pessoas.

Sempre dei sugestões à presidente da sessão e, aos poucos, elas foram sendo ouvidas. Fica também o registro de que a equipe de mesários da minha sessão é praticamente fixa e todos são sempre muito prestativos no auxílio quando necessário. No colégio em que voto é permitido a entrada e estacionamento de carros para pessoas com deficiência e idosos.

A primeira vez que votei não sabia disso e foi complicado parar e descer do carro, mas bastou que me vissem para avisar e desde então não passo aperto com isso.

Há dois anos houve a construção de uma entrada secundária no colégio e como toda área externa é de calçamento em pedras, do carro até a entrada a gente treme um pouco, mas nada de outro mundo. Essa entrada tem duas alças de rampas com patamar de descanso e corrimão com dois níveis em ambos os lados dando aceso direto na minha sessão. Lá, as mesas e urna estão em altura boa para cadeirantes e existe sempre uma cadeira para quem precisa sentar. A mesa da urna não é fixada ao chão e, dessa forma é possível fazer pequenos ajustes de posicionamento.

Ao meu ver o local é ótimo para sessões acessíveis e se ainda é necessário algum ajuste, eu não percebi.

A Justiça Eleitoral de Minas Gerais fizeram toda uma campanha de acessibilidade, incluindo uma Cartilha da Acessibilidade Eleições 2014, tudo muito bem desenhadinho pra mostrar que tornar um lugar acessível não é tão difícil assim. O próprio TRE-SP também tem-se mostrado preocupado, tendo feito vistorias nas seções especiais antes das eleições para garantir a acessibilidade destas.

A orientação geral do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) é que o eleitor que teve problemas ao votar por conta de falta de acessibilidade ou, acessibilidade parcial, pode pedir a transferência de seu titulo para uma seção de fácil acesso. Esta solicitação deve ser feita pelo próprio eleitor, no cartório eleitoral.

Caso prefira, vá antes de transferir o título ao novo local e verifique se é realmente adaptado e corresponde suas necessidades. A segurança e disponibilidade de acesso ao local de votação são direitos nossos, e não devemos abrir mão. Eu não quero ter que justificar meu voto porque o elevador quebrou e não tinha ninguém para me carregar no colo. Quero meu direito ao voto garantido e respeitado.

Não se calem perante os erros. Vão aos cartórios, peçam medidas, reclamem na internet, aos portais de noticia.  Nos mobilizando podemos dar ao assunto a visibilidade que ele merece.

São 45.6 milhões de pessoas (23.9% da população brasileira, quase um quarto do total) que têm o direito de escolher seus representantes, inclusive os que melhor defendem a acessibilidade em nossas cidades, estados e país.

Eu voto pelo meu direito de exigir que meus direitos sejam respeitados. E vocês, votam por quê?

Finalmente, habilitada.

Alou alou tchutcholinos do meu Brasil.

Todo mundo sabe que para deficientes (seja a deficiência física, intelectual, visual, auditiva ou múltipla), o transporte publico é uma opção totalmente precária, e dependendo da região onde este mora, chega a ser impossível, certo? Todo familiar de um deficiente tem uma história de um cadeirante esperando o ônibus no ponto, debaixo de chuva, sem nenhum deles pararem, ou a história de um cego que desceu no ponto errado porque ninguém avisou para ele que seu ponto passou.

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Dirigindo pela cidade

Por isso, o governo concedeu o direito à Carteira Nacional de Habilitação Especial para os portadores de deficiência, desde que esta deficiência não interfira em sua capacidade de direção. São estas:

  1. Paraplegia: paralisia de ambos os membros inferiores e, geralmente, da região dorsal inferior.
  2. Paraparesia: paralisia incompleta de nervo ou músculo dos membros inferiores que não perderam inteiramente a sensibilidade e o movimento.
  3. Monoplegia: paralisia de um só membro ou grupo muscular.
  4. Monoparesia: paralisia incompleta de nervo ou músculo de um só membro que não perdeu inteiramente a sensibilidade e o movimento.
  5. Triplegia: paralisia de três membros.
  6. Tetraparesia: paralisia parcial dos quatro membros, pois há um pouco de força em alguns deles.
  7. Triparesia: paralisia incompleta de nervo ou músculo de três membros que não perderam inteiramente a sensibilidade e o movimento.
  8. Hemiplegia: paralisia de uma parte do corpo; exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho da função.
  9. Hemiparesia: paralisia incompleta de nervo ou músculo de um dos lados do corpo que não perdeu inteiramente a sensibilidade e o movimento.
  10. Amputação, ou ausência de membro.
  11. Paralisia Cerebral.
  12. Membros com deformidade congênita adquirida.

Alem dessas, algumas doenças também possibilitam ao portador o direito à carta especial (câncer de mama, artrite reumatóide, artrose, acidente vascular encefálico (AVE), esclerose múltipla, mastectomia, quadrantectomia, próteses internas e externas, doenças degenerativas, doenças neurológicas, linfomas, neuropatias diabéticas, escoliose acentuada e encurtamento de membros por má formação).

A orientação que posso dar pra quem tem duvida em saber se se encaixa ou não nas especificações para ter direito à CNH especial é: procure um médico credenciado, e ele saberá exatamente. Isso evita que você perca tempo fazendo todo o processo de aulas para ser barrado no dia da prova prática, pelos médicos do DETRAN.

Há muita procura (e muita tentativa) justamente porque para quem comprovar a necessidade da carta e veiculo especial, o DETRAN emite um laudo pericial que possibilita a entrada na Receita Federal para os descontos de IPI e IOF, na Receita Estadual para os descontos de IPVA e ICMS, e o Cartão de Estacionamento para Pessoa com Deficiência (Cartão DeFis-DSV), retirado pela Prefeitura.

Há também o caso em que a pessoa já era habilitada e foi acometida por uma deficiência, ou doença que causou uma incapacidade total ou parcial, se enquadrando no rol de pessoas com direito à carta especial. Para estes, é preciso um exame médico para atestar a condição e o exame pratico para averiguar se o condutor está apto. Como no caso de uma primeira habilitação, é recomendável procurar uma auto escola especializada, para fazer todo este procedimento.

Quem não pode conduzir (deficientes visuais, deficiência mental severa ou qualquer outra deficiência que impossibilite a condução do veiculo automotor) são classificados como não-condutores e estes têm os mesmos benefícios dos condutores, não precisando que estes tenham carta já que será uma outra pessoa o motorista do veiculo.

Para retirar a CNH Especial, os requisitos são os mesmos da Comum: ter 18 completos, ser alfabetizado, apresentar na auto escola copia do RG e do CPF, comprovante de endereço e foto 3×4 com fundo branco.

Em fevereiro, dei entrada (FINALMENTE) no meu processo de retirada da carta. Pra isso, procurei a Javarotti, uma auto escola especializada em carta especial, que já tinha conhecido no curso de Lesão Medular feito na AACD. Fiz na Unidade da Vila Mariana, que fica na rua ao lado do metrô, fácil acesso.

O atendimento foi excelente, não tenho o que reclamar. Sempre que havia algum procedimento a ser feito fora da auto escola (exame médico e biometria no DETRAN, por exemplo) um carro deles me levava (ou no caso da biometria, um funcionário me acompanhou de metrô até o DETRAN, por opção minha, já que era mais pratico e o horário ficava melhor pra mim).

Fiz a matricula no dia 15 de fevereiro, e na semana seguinte já fui fazer a biometria no DETRAN e o exame médico e psicotécnico para poder iniciar o curso de formação de condutores (CFC). Eu fiz o CFC no Centro de Formação de Condutores Unitran, próximo a estação Santa Cruz do metrô que fora a vantagem de ser perto do metrô mesmo, tinha aula de sábado e domingo (sim, eu fiz aula de final de semana, das oito da manhã até o meio dia, até acabar o tormento #morta).

Basicamente eu tinha um problema só: tempo. Eu trabalho de segunda à sexta, das 9:00 às 15:00, sábados quinzenais das 08:00 às 14:00, e minhas aulas da faculdade começam às 18:00. Logo eu só podia fazer o CFC um sábado sim/um sábado não, e de domingo, obedecendo o calendário das aulas que precisava cumprir e as aulas de direção encaixei de semana à tarde, nesse horário vago das 15:00 às 18:00. Muitas vezes só consegui fazer uma aula (as aulas tinha 50 minutos de duração), o que dificultava muito o treino (levando o tempo que perdíamos no transito).

Da primeira aula do CFC até a ultima aula de condução na auto escola, foram 4 meses (um tempo absurdo).

As aulas de direção, logicamente, foram a parte mais esperada e mais legal. Já na primeira aula eu voltei para a auto escola dirigindo, e aprendi bem rápido a dirigir (inclusive a fazer a famigerada baliza) com muito garbo e elegância, tanto que nas ultimas aulas não tinha mais nada a aprender e os instrutores me levavam para pegar transito, em horário de pico (circuito pela auto escola, Av. Dr. Ricardo Jafet, Av. Ibirapuera, Rubem Berta, Av. Jabaquara, auto escola de volta, incluindo alguns passeios esporádicos pelo Ipiranga).

Fiz as ultimas aulas noturnas em agosto, e minha prova pratica foi marcada pro dia 30 de setembro. Pelo tempo “parada”, optei por contratar separado na auto escola uma aula a mais, pra treinar baliza e ver se eu lembrava ainda pra que lado eu tinha que virar o volante nas curvas.

Dia da prova pratica, nervosismo e tremedeira nas pernas, logicamente. Tinha que estar na auto escola ao meio dia e às 11:00 eu já estava quicando de um lado pro outro. O único lugar em que é feito a prova da banca especial é no DETRAN que fica atrás do Shopping Aricanduva (de terça e quinta, das 14:00 às 18:00).

Chegando lá, assinei a lista de presença no balcão, e os meninos da auto escola me levaram onde era feito o exame medico final, para verificar se eu tinha direito mesmo ou não a CNH Especial (essa banca é feita pelos médicos habilitados do próprio DETRAN, diferente do exame medico realizado no inicio do processo, por um medico credenciado, afim de evitar fraudes). Quase uma hora de espera para ser atendida, cada vez mais pessoas saindo da sala nervosas, com seu pedido negado pelos médicos. Lógico que comecei a ficar nervosa, achando que eles iam me falar que sou aleijada não, era tudo mentira minha, e que era pra eu levantar e sair andando.

Lógico que tudo deu certo (provei minha aleijadisse e falta de vergonha na cara) e fui fazer a prova pratica.

Entrei no carro. Um dos instrutores que estava segurando minha cadeira de rodas abaixou e me ajudou a posicionar o banco. Pus o cinto de segurança. Arrumei os espelhos. Tremia e tremia e tremia. A fiscal do DETRAN disse que quando eu quisesse, poderia dar partida. Liguei o carro (tremendo) e dei a seta para sair, e um leve toque no acelerador. O carro deu um leve e quase imperceptível tremor anormal. O freio de mão ainda estava puxado. Quase convulsionando agora, abaixei e sai com o carro. Parei onde era a parada obrigatória, esperei 10 segundos, olhando se não tinha nenhum carro vindo, seta de novo e virei. Percurso, parando sempre que tinha algum pedestre ou carro pedindo passagem, fiz a rotatória e chegamos no local das balizas. Ela (instrutora) disse que eu podia escolher, e eu pensei vou fazer na ultima porque dá tempo de alinhar o carro direitinho. Carro em posição, seta, vira pra lá e pra cá, baliza perfeita. Dá a seta e sai com o carro. Estaciona ali.

– “Nossa moça, se você estava nervosa nem pareceu”.

– “Sério?”

– “´Sério.”

– “Isso significa que tô aprovada?!”

– “Sim”.

*Meus gritos que provavelmente foram escutados por todos num raio de 2 km*

Fui pra faculdade naquele dia cantando mais feliz do que o sábia laranjeira. Me deram o prazo de dez dias uteis para retirar minha carta na auto escola, e qual foi minha surpresa me ligarem no dia 9 pra ir buscar. Já estou em posse dela, e agora é só não tomar nenhuma multa para não perder a permissão.

Minha carta, como toda carta especial, vem com as restrições baseadas nas minhas limitações, por meio de letras no campo de desenho da CNH. Tenho uma letra F (obrigatório o uso de veiculo com direção hidráulica), G (obrigatório o uso de veiculo com transmissão automática) e H (obrigatório o uso de acelerador e freio manual). Se eu for parada por fiscalização (seja Policia Militar ou marronzinho) dirigindo um carro sem estas especificações, eu me lasco inteira (até porque não acho que conseguiria dirigir um carro sem essas especificações, já quem nem sei trocar uma marcha).

Minha dica é realmente procurar uma auto escola que seja especializada e de fácil acesso, pois eles estarão preparados para suas necessidades individuais (e não vão te levar, por exemplo, pra fazer o exame médico em uma clinica que tenha três lances de escadas). O processo pode ser longo, como no meu caso, ou rápido, isso vai da sua disponibilidade. Mas independente da demora, a sensação de independência que a direção traz, e ter a CNH nas mãos, paga qualquer tempo e estresse.

O próximo texto a respeito será da novela das isenções, para a compra do carro. Quero todos fazendo uma corrente de sentimentos positivos já que a única coisa que poderei fazer aguardando a boa vontade da Receita Federal é esperar sentada. A espera vai de três a cinco meses pra papelada das isenções do carro ficarem prontas.

Até lá, vocês podem andar tranquilos pela cidade.

Somos todos Laíses, não somos?

Pra quem viveu os últimos meses na Sibéria e não acompanhou os jornais, vou explicar a história: Laís Souza, ex-ginasta e esquiadora, estava treinando e buscando uma vaga para as Olimpíadas de Inverno de Sochi, em Salt Lake City, quando sofreu uma torção de coluna e acabou ficando tetraplégica. Laís é uma menina do interior de Ribeirão Preto, pai mecânico, mãe que trabalha numa loja de sapatos e dois irmãos.

Contextualizando isso, fica evidente que não seria viável, beirando ao impossível, que os pais conseguissem dar a ela o tratamento adequado. As despesas médicas do tratamento dela no Centro Médico da Universidade de Miami são pagas com o seguro – um plano de saúde pago pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e uma outra apólice da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN).

O que passasse dessas apólices, não será coberto. Por isso, a família criou uma campanha de arrecadação de fundos para montar uma poupança para ela, para cobrir futuros gastos, como uma adaptação na casa deles, algum equipamento médico, ou qualquer outra coisa necessária. O problema foi que foram transferidos para a conta corrente de Laís o montante de cerca de R$ 3.000,00.

Paro a narrativa aqui para lembrar aos senhores que três mil reais não cobrem nem o valor da cadeira de rodas que eu uso. Continuando:

A questão que agora o que era um problema, não é mais um problema! O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou hoje (02/07) uma pensão especial, mensal e vitalícia, não transferível a herdeiros, no valor de R$ 4.390,24 (valor atual de benefício máximo pago pelo Regime Geral de Previdência Social) pra Laís Souza, a partir do Projeto de Lei 7657/14, dos deputados Mara Gabrilli (PSDB-SP) e Rubens Bueno (PPS-PR).

O coautor da proposta, deputado Rubens Bueno, se emocionou ao lembrar o desejo da atleta de voltar a andar, manifestado em reportagem do programa Fantástico, em março deste ano. “Por isso temos a obrigação de aprovar essa pensão mais que justa para Laís”, disse.

Ao recordar o acidente sofrido durante os treinos preparatórios para os jogos de inverno de Sochi, na Rússia, Bueno teve a voz embargada. “A menina saltadora, que estava procurando novos voos, ficou paralisada e teve os sonhos e projetos suspensos. Hoje ela segue uma rotina de fisioterapia (pausa) e de acompanhamento psicológico”, disse” (trecho da reportagem retirado do site da Câmara dos Deputados).

Agora, vamos botar a mão na consciência, queridos, amados e estimados leitores. Lembrem-se nesse ponto toda a narrativa que fiz acima, apontando por A + B, que a Laís não teria condições de ter um tratamento e que ela precisava sim de toda ajuda, seja campanha de arrecadação ou pensão governamental. Ela precisa.

Eu devo, antes de continuar, explicar o que é uma pensão vitalícia. Prevista no art. 950 do Código Civil, concede o beneficio “se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu” (texto de Lei, site do Planalto).

São exemplos de concessão de pensões especiais, mensais e vitalícias: Síndrome da Talidomida (nesta, atinge o incrível valor de R$ 953,63), nos casos de contaminação de hepatite toxica no processo de hemodiálise do Instituto de Doenças Renais em Caruaru/PE (ficou conhecido com o caso da Hemodiálise de Caruaru), acidente nuclear com Césio 137 em Goiânia, portadores de Hanseníase, e as pensões especiais de efeito concreto, que se aplicam ao caso da Laís. As média de valor dessas pensões nesses casos vai de R$ 500,00 à cerca de R$ 1.500,00 (valor mensal, podendo o beneficiário também requerer o pagamento em parcela única, segundo o paragrafo único do art. 950 do Código Civil).

Porque dar a ela o direito de receber a pensão no valor máximo pago pela Previdência Social, enquanto a maioria dos outros 43 milhões de deficientes do Brasil tem apenas direito ao Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC-Loas) no valor de R$ 724,00 ou o beneficio da aposentadoria especial, desde que para receber qualquer um dos dois benefícios, o deficiente tenha que preencher uma série interminável de requisitos? E eu me recuso aqui a entrar no mérito do calculo do fator previdenciário e o valor final que esse deficiente irá receber de aposentadoria.

E todos os outros deficientes que vivem com um mínimo e não têm verba pra: adaptações, transporte, material hospitalar, cuidadora, fisioterapia e qualquer outra necessidade que venham a ter? Quantos de nós estão nas filas do Hospital Sarah Kubitschek, AACD ou Instituto Lucy Montoro, esperando por uma chance de tratamento igual ao que ela teve, em Miami?

Enquanto os deficientes atletas, que também levam com o orgulho o nome do nosso país para fora, nas competições internacionais, recebem um valor que não cobre nem o valor das passagens e inscrições nessas mesmas competições, proveniente da Bolsa Atleta, Laís teria mesmo direito de receber esse beneficio além do regime geral e dos regimes próprios da Previdência Social? Alias, não temos todos os mesmos direitos?

O Principio Constitucional da Igualdade determina que deveremos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade. Mas ao que me parece, não, não somos iguais nem desiguais. Somos apenas excluídos da equação.