Sexo e cadeira de rodas – porque ainda esse estranhamento?

Sexo é uma vontade que podemos conjulgar em todas as pessoas, tanto do plural quanto do singular. Exceto as pessoas que realmente não sentem atração sexual por nada ou ninguém, nós crescemos, nos desenvolvemos e então finalmente, procriamos. E o prazer vem justamente ai, já que o homem é o único animal que sente prazer nisso, justamente para que haja a procriação.

E se todo mundo quer, há demanda, e se temos demanda, todos são felizes e plenamente felizes sexualmente, já que sempre haverá uma tampa para sua caçarola, certo? 

Claro que não. Sempre haverá os marginalizados, não importa do que se trate o tema. E nesse caso especifico, estou falando dos deficientes físicos. Ou vocês acham que a vida real é igual a novela das nove, onde a moça cadeirante mesmo apresentando uma tetraplegia (não discutindo o nível dela, neste momento), é a Alinne Moraes?

Mas Gabi, o que você tem haver com isso se você é mó passa-o-rodo?”, vocês dirão. Só que a questão aqui é: namorado, sexo… relacionamentos em geral. Isso costuma vir de mãos dadas, é como aquele pacote de viagem que compramos, e que acabamos seguindo só o roteiro.

E pra quem é cadeirante, meus amigos leitores, irmãos e companheiros, tudo piora. Porque sim, toda desgraça para aleijado é pouca. Na hora de falar que a gente é exemplo de superação, exemplo de vitória e todas essas lorotas, todo mundo tá ai, mas e quando a gente tá precisando de uns bons malhos?

Um texto do New York Times do começo do mês trata dessa questão. Laetitia Rebord, de 31 anos teve uma atrofia muscular genética, que a deixou paralisada, com exceção do dedão esquerdo e dos músculos faciais. E queridos, a única coisa que a Laetitia quer é foder. Mas imaginem o que acontece, né? Agora, menina Laetitia está pensando em pagar por sexo na Alemanha ou Suíça, onde os serviços de parceiros sexuais substitutos são permitidos (para ler mais dessa história, só clicando ali em cima no nome do jornal, mas tá inglês).

A situação da classe que eu represento não é fácil. Vocês acham bonitinho até quando a gente aparece com um namoradinho(a) porque “olha – que coisa, tá na cadeira de rodas mas até namora!” Como dito na reportagem, “uma pessoa incapacitada é vista como uma criança. E inevitavelmente, crianças e sexo não combinam.” E ai não fica fácil pra mim, nem pra ela, nem pra ninguém que usa uma cadeira de rodas. E esse nível de dificuldade fica cada vez mais proporcional ao nível de lesão ou doença que se tem.

Se você nunca pensou sobre esse assunto, mas de alguma forma foi tocado por este meu texto, fica a dica desse documentário (também em inglês, porque hoje acordei bilíngue) que mostra homens e mulheres com vários tipos, com várias lesões, lutando para exercer sua livre capacidade sexual, seja pagando por ela, ou da forma que for.

 

Porque por mais incrível que possa parecer, aleijado também trepa.

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